quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Transpondo partituras para clarinete.

Atendendo à demanda, resolvi escrever este post, já que alguém chegou a este blog procurando por este tipo de assunto, e este assunto é pertinente a este blog (se não fosse não escreveria). Pois bem, transpor partituras.

Tanto para clarinetes como para qualquer outro instrumento transpor as vezes pode gerar confusão. Outro dia mesmo, eu e uns amigos do Conjunto de Sopros discutíamos quantos tons e semitons deveríamos elevar ou reduzir uma música para tocarmos juntos, sendo os instrumentos um clarinete, um saxofone alto, uma tuba e uma flauta. Primeiramente deve-se ter em mente a escala diatônica de dó maior, onde temos intervalos na seguinte ordem: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Para facilitar, veja o esquema abaixo.

Escala de Dó Maior com respectivos intervalos.
Escala de dó maior com respectivos intervalos.


Esta sequência de intervalos é padrão para as escalas maiores. Certo, e o clarinete? O clarinete é um instrumento afinado em si bemol (Bb), ou seja um tom abaixo de dó. Portanto quando é tocado no clarinete a nota dó, a frequência do som que sai dele corresponde a nota si bemol na escala natural de dó. Difícil? Não. Vejamos, já que o instrumento é afinado um tom abaixo e quando eu toco um dó (que eu li na partitura) sai um si bemol (o som na frequência que é tocada), mas na verdade, para o clarinete aquele é o dó, tenho que tocar um ré (posição no clarinete) para que o som tocado corresponda a um dó tocado por um instrumento afinado em dó. É tarefa do arranjador/compositor fazer as transposições necessárias para que a banda toque afinada.

Um exemplo para ajudar a entender: eu toco clarinete e a música que eu tocarei com uma banda é em dó. Todos os instrumentos são afinados em dó, menos o meu (clarinete = Bb), logo subo 1 tom, todas as notas  da minha partitura para poder tocar afinado com a banda. Esta transposição gera uma partitura com todas as notas 1 tom acima das demais partituras (que os instrumentos em dó tocarão) e com dois sustenidos a mais (ou seja 1 tom) (as vezes pode ser dois bemois a menos também, ou um bemol a menos e um sustenido a mais... O que importa é a diferença de 1 tom em relação ao instrumento em dó)! 
E se o intrumento que tocará comigo é em outro tom que não dó? Neste caso deve-se saber quantos tons e semitons (quando aplicável) a afinação do instrumento em questão está distante do seu instrumento. Isto vale para qualquer instrumento, em qualquer situação. Sabendo a distancia da afinação entre os instrumentos, sejam eles quais forem, consegue-se transpor qualquer partitura.

O saxofonista e clarinetista Paulo Moura, com seu clarinete transparente.
Paulo Moura com seu clarinete transparente de acrílico.

Um problema é ter que fazer a transposição a mão! Para isso existem alguns programas que podem ajudar nessas horas. O Encore é um muito usado entre compositores e arranjadores. Tem também o Finale e o Guitar Pro (o//). Como usá-los é assunto pra outra hora. Por enquanto indico alguns tutoriais para estes programas.

Algumas partituras para clarinete AQUI e AQUI!
Para a noite de hoje indico "Teresinha de Jesus" onde Paulo Moura (clarinete) toca com Arthur Moreira Lima (piano) e Heraldo do Monte (viola). Um instrumento afinado em si bemol e dois em dó. 


E para os mais pacientes para esperar os vídeos carregarem indico também o Concerto em Lá para Clarinete e Orquestra, de Mozart (K. 622). A solista é a clarinetista israelense Sharon Kam que toca junto com a Orquestra Filarmônica da República Checa, regida pelo maestro Manfred Honeck. Os 4 vídeos correspondem ao concerto inteiro. Os dois primeiros ao primeiro movimento, o terceiro vídeo ao segundo e o último ao terceiro movimento.






Créditos da imagem 1: http://nocmoon.com/ 

Qualquer dúvida pode perguntar nos recados ou enviar email para luizinladeira@gmail.com.
Até o próximo!